27 março 2010

Um supérfluo essencial

Como se sabe, a nossa graça, ou desgraça, depende do supérfluo.
Não só o feijão e a carne-seca fazem o homem feliz ou infeliz.
Precisamos do sapato, da jóia, da gravata, do penteado, coisas de um supérfluo imprescindível.
Por que as mulheres se vestem?
Porque o vestido é supérfluo e a nudez essencial.

Nelson Rodrigues - O Reacionário

Debilidade sexual

Você já viu um ser humano fazendo sexo? Não? Nem queira. É simplesmente horrivel.
Desajeitado, reprimido, rapidinho demais, egoísta, peludo e feio pacas.
Urram, rosnam, chiam, miam. Às vezes, dependendo do clima, cantam até um tango.
Para desgosto do freguês.

We are the World

O ser humano é um poço de otimismo. Deixa-se levar por qualquer trolha. É páscoa, se fantasia de coelhinho. É natal, veste-se de Papai Noel, e no Ano-Novo parece uma tia velha de tanta esperança. Abraça todo mundo, solta rojões, estoura champanhe... Por pouco não explode de tanta babaquice.
Acredita no Papa, no Ronald Reagan, no Dias Gomes... O que pintar, a besta engole.
Até "Nova República".
ÉÉÉÉCA!

Gostosinhas mas ordinárias

Aqui na civilização, estilista tem status de grande artista. Os picaretas à parte, mas alguns deles merecem realmente o título. O transgressor Jean Paul Gaultier, por exemplo, transforma a mulher numa diva irreverente de final de século. Azzedine Alaia, enrolando o corpo feminino em seda pura, deixa o resto a cargo da criatividade das formas femininas.
Os dois trabalham com tesão. Cada um do seu jeito. Roupas coladas no corpo, minissaias futuristas, muito couro e tecidos leves sobre os seios nus. Enfim, tudo aquilo que abala meu pobre coração fetichista.
Mas isso são as roupas. E as modelos? O que fazer com as topmodels?
Verdadeiras musas deslizando pelas passarelas da futilidade. Bocas carmim, pernas longas cobertas por meias de seda, corpos esquios e, na maioria das vezes, uma cabecinha desse tamanho aqui.
São incapazes de articular mais que quatro palavras e, quando conseguem, só sai bobagens.
É um belo oco.

25 março 2010

O Encontro de Isaac Asimov com Santos Dumont

Nada como o firmamento
Para trazer ao pensamento
A certeza de que estou sólido
Em toda área que ocupoE a imensidão aérea
É ter o espaço do firmamento no pensamento
E acreditar em voar algum dia.

Cogito*

Eu sou como eu sou
Pronome
Pessoal intransferível
Do homem que iniciei
Na medida do impossível

Eu sou como eu sou
Agora
Sem grandes segredos dantes
Sem novos segredos dantes
Nesta hora

Eu sou como eu sou
Presente
Desferrolhado indecente
Feito um pedaço de mim

Eu sou como eu sou
Vidente
E vivo tranquilamente
Todas as horas do fim

*Torquato Neto

16 março 2010

Aguardem...

Senhores passageiros, queiram se acomodar em suas cadeiras, poltronas, camas, sofás etc, em breve nosso voo (agora de acordo com a nova gramática) será autorizado pela companhia. Desculpem a demora e tenham paciência porque novas postagens (novíssimas) virão para surpreende-los. Espero a colaboração de todos.

Aguardem...