O homem, sendo perecível, não se julga perecível. Não sei se me entendem. O homem acredita na morte, mas não na "própria morte" (na minha infância, eu não acreditava nem na morte dos outros). Todavia, há situações vitais que não admitem dúvida, nem sofisma. E o homem "sabe", de repente, sabe que "vai morrer".
Está diante da própria morte. Não de outra qualquer, mas da "sua". Há os que perguntam: "Doutor, quanto tempo tenho de vida?" E o médico: - "Um mês, ou dois, ou três.".
O tempo é o de menos. Sejam três meses, ou um ano, ou sessenta anos. O insuportável é que o homem fica sabendo a data, quase o dia, quase a hora, quase o minuto da sua morte.
Houve um que disse ao médico: "- Eu não tenho três meses de vida."
O médico não entende ou só entendeu quando o viu puxar o revólver. O clínico imagina: - "Vai me matar.". Mas o doente virava a arma contra si mesmo. Já que não era a vítima, o clínico passou a outro problema. Pedia: - "AQUI NÃO! AQUI NÃO!"
Mas o cliente introduziu o cano na boca e puxa o gatilho. Assim devolveu os três meses que lhe dera o médico.
20 junho 2010
Sobre o HOMEM
Todo grande homem tem de ser, obviamente, obsessivo. Não sei se me entendem. Mas o Grande Homem é a soma de suas idéias fixas. São elas que o potencializam.
12 junho 2010
Aos Engenheiros Agrônomos
Obs: Olhar a quantidade adequada de adubo a ser adicionada, qualquer quantidade a mais leva a planta a um consumo de luxo, onde a quantidade de nutrientes dispostos no solo não irão beneficiar o seu crescimento. Portanto, atenção!"
15 maio 2010
Perdoa-me por me traíres
Só uma vez em sua vida ela havia ganho no Black Jack.
Era um início de noite. Ela estava sentada sozinha em um cassino de San Juan, jogando duas ou três rodadas para se distrair.
Dava para dizer que o crupiê tinha gostado dela; da maneira mais sutil, ele lhe indicava quando era bom pedir cartas, e quando não era.
Num curto espaço de tempo, ela ganhou um monte de dinheiro. Mas quando seu namorado apareceu, a cara do crupiê desabou - e ela sentiu que o havia traído. Não, é claro, a ponto de devolver o dinheiro.
Era um início de noite. Ela estava sentada sozinha em um cassino de San Juan, jogando duas ou três rodadas para se distrair.
Dava para dizer que o crupiê tinha gostado dela; da maneira mais sutil, ele lhe indicava quando era bom pedir cartas, e quando não era.
Num curto espaço de tempo, ela ganhou um monte de dinheiro. Mas quando seu namorado apareceu, a cara do crupiê desabou - e ela sentiu que o havia traído. Não, é claro, a ponto de devolver o dinheiro.
05 maio 2010
10 abril 2010
Sobre o Amor
... Mas às vezes não é assim. Às vezes o sonho vem, baixa das nuvens em fogo e pousa aos teu pés um candelabro cintilante. Dura uma tarde? Uma semana? Um mês? Pode durar um ano, dois até, desde que as dificuldades sejam de proporção suficiente para manter vivo o desafio e não tão duras que acovardem os amantes. Para isso, o fundamental é saber que tudo vai acabar. O verdadeiro amor é suicida. O amor, para atingir a ignição máxima, a entrega total, deve estar condenado: a consciência da precariedade da relação possibilita mergulhar nela de corpo e alma, vivê-la enquanto morre e morrê-la enquanto vive, como numa desvairada montanha-russa, até que, de repende, acaba. E é necessário que acabe como começou, de golpe, cortado rente na carne, entre soluços, querendo e não querendo que acabe, pois o espírito humano não comporta tanta realidade, como falou um poeta maior. E enxugado os olhos, aberta a janela, lá estão as mesmas nuvens rolando lentas e sem barulho pelo céu deserto de anjos. O alívio se confunde com o vazio, e você agora prefere morrer.
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